segunda-feira, 30 de março de 2009


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Para calar a boca: Rícino
Para lavar a roupa: Omo
Para viagem longa: Jato
Para difíceis contas: Calculadora
Para o pneu na lona: Jacaré
Para a pantalona: Nesga
Para pular a onda: Litoral
Para lápis ter ponta: apontador
Para o Pará e o Amazonas: Látex
Para parar na Pamplona: Assis
Para trazer à tona: Homem-rã
Para a melhor azeitona: Ibéria
Para o presente da noiva: Marzipã
Para adidas o conga: Nacional
Para o outono a folha: Exclusão
Para embaixo da sombra: Guarda-sol
Para todas as coisas: Dicionário
Para que fiquem prontas: Paciência
Para dormir a fronha: Madrigal
Para brincar na gangorra: Dois
Para fazer uma toca: Bobs
Para beber uma coca: Drops
Para ferver uma sopa: Graus
Para a luz lá na roça: 220 volts
Para vigias em ronda: Café
Para limpar a lousa: Apagador
Para o beijo da moça: Paladar
Para uma voz muito rouca: Hortelã
Para a cor roxa: Ataúde
Para a galocha: Verlon
Para ser moda: Melancia
Para abrir a rosa: Temporada
Para aumentar a vitrola: Sábado
Para a cama de mola: Hóspede
Para trancar bem a porta: Cadeado
Para que serve a calota: Volkswagen
Para quem não acorda: Balde
Para a letra torta: Pauta
Para parecer mais nova: Avon
Para os dias de prova: Amnésia
Para estourar pipoca: Barulho
Para quem se afoga: Isopor
Para levar na escola: Condução
Para os dias de folga: Namorado
Para o automóvel que capota: Guincho
Para fechar uma aposta: Paraninfo
Para quem se comporta: Brinde
Para a mulher que aborta: Repouso
Para saber a resposta: Vide-o-verso
Para escolher a compota: Jundiaí
Para a menina que engorda: Hipofagi
Para a comida das orcas: Krill
Para o telefone que toca
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta
Para você o que você gosta: diariamente

( Nando Reis )

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Toda noite ela diz pra eu não me afastar.
Meia-noite ela jura eterno amor,
E me aperta pra eu quase sufocar,
E me morde com a boca de pavor."

( Chico Buarque )



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Jêje
Minha sêde é dos rios
A minha cor é o arco-iris
Minha fome é tanta
Planta flor irmã da bandeira
A minha sina é verde amarela
Feito a bananeira
Ouro cobre o espelho esmeralda
No berço esplêndido
A floresta em calda
Manjedoura d'alma
Labar água, sete quedas em chama
Cobra de ferro Oxumaré
Homem e mulher na cama

Jêje
Tuas asas de pomba
Presas nas costas
Com mel e dendê
Aguentam por um fio
Sofrem
O bafio da fera
O bombardeio de Caramuru
A sanha de Ahanguera

Jêje
Sua boca do lixo
Escarra o sangue
De outra hemoptise
No canal do mangue
O Uirapuru das cinzas chama
Rebenta a louça Oxum-Maré
Dança em teu mar de lama.
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sexta-feira, 27 de março de 2009

Destruição

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Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada, ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.
Deixaram de existir mas o existido
continua a doer eternamente.
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Amar

"Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita."


(Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 26 de março de 2009

terça-feira, 24 de março de 2009

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Na veia

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Eu vou cantar pra saudade com seu vestido vermelho e a sua boca
Eu vou cantar pra saudade descer na minha cabeça e comandar sua festa, festa

Aquele cheiro som imagem do teu corpo incendeia
E um rio carregado de saudade vem correr na minha veia
Na veia amor, na veia.
É como a luz da lua que atravessa a parede da cadeia
Clareia mais forte que o sol.


E Quando a saudade chegar com seu batalhão de agitadores
E tanta bandeira
Vou cantar aquele som da gente
Vou rasgar o teu vestido novo

(Cordel do fogo encantado)

segunda-feira, 23 de março de 2009

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Bandolins

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"Como fosse um par que nessa valsa triste
Se desenvolvesse ao som dos bandolins
E como não e por que não dizer
Que o mundo respirava mais se ela apertava assim
Seu colo e como se não fosse um tempo
em que já fosse impróprio se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo
Se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar, seu corpo a valsa triste iluminava
e a noite caminhava assim
E como um par o vento e a madrugada iluminavam
A fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança
Que entra na roda, a noite tá no fim
Ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins"


(Oswaldo Montenegro)

sexta-feira, 20 de março de 2009

O Poço

"Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres."

(Pablo Neruda)

segunda-feira, 16 de março de 2009

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Mulher de música
melhor ficar na música
porque mulher de música
é coisa de utilidade pública.
E além disso, sinhá de iaiá,
musa é musa e mulher de carne e osso
vem a ser hipotenusa
que me usa,
parafusa,
me recusa
e ainda me acusa.

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"O macho pela vida
Se valida
A molestar a mulher
Se diverte.

Apavorada,
Ela, que se péla,
Pouco pára de pé,
E padece.

Quando ele pia, pia, pia,
Pra inibir na mulher o animal,
Talvez eu ria, ria, ria,
Vendo ele transar uma boneca de pau,
Com seu incubado,
Calado, colado, pirado pavor
Do segredo sagrado.

Por isto existe no mundo
Um escravo chamado


Mulher – Divino Luxo – Navio Negreiro
Graal – Puro Cristal – Desespero
Rosa-robô – Cachorrinho – Tesouro,
Ninguém suspeita dor neste ideal,
A dor ninguém suspeita imperial.

Eucaristia – Ascensão – Desgraça,
Filé-mignon – Púbis, Traseiro – Alcatra,
Banca de Revista – Açougue Informal – Plena Praça,
Ninguém suspeita dor neste ideal,
A dor ninguém suspeita imperial."


( Tom Zé )
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"Você roubou meu sossego.
Você roubou minha paz!
Com você eu vivo a sofrer...
Mas sem você vou sofrer muito mais!

Você roubou meu sossego.
Você roubou minha paz!
Com você eu vivo a sofrer...
Mas sem você vou sofrer muito mais!

Já não é amor!
Já não é paixão!
O que eu sinto por você é obsessão!

...

Já não é amor!
Já não é paixão!
O que eu sinto por você é obsessão!"


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Muitas perguntas, poucas respostas.
Muita cobrança, pouco entendimento.
As palavras estouram dentro do meu peito...batem nas paredes, criam um eco insudercedor.

Um fantasma assalta minha mente, rouba minhas lembranças...todos os dias. E eu passificamente permito...

No final do túnel eu consigo ver aquele tecido vermelho, flamejante, como teria que ser minhas atitudes.

-Deus, eu ainda espero o desespero que o senhor me prometeu!!

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quarta-feira, 11 de março de 2009

"Alvorada
Lá no morro que beleza
Ninguém chora não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo é tão lindo
É tão lindo
E a natureza sorrindo
Tingindo, tingindo

Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
E o que me resta é bem pouco
Quase nada
Do que ir assim vagando
Numa estrada perdida"

(Cartola)

terça-feira, 10 de março de 2009

Dicas para escrever bem...

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1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

3. Anule aliterações altamente abusivas.

4. não esqueça as maiúsculas no início das frases.

5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.

6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??… então valeu!

9. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa merda.

10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: “Quem cita os outros não tem idéias próprias”.

13. Frases incompletas podem causar

14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias vezes.

15. Seja mais ou menos específico.

16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17. A voz passiva deve ser evitada.

18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação

19. Quem precisa de perguntas retóricas?

20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

22. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”

23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.

27. Seja incisivo e coerente, ou não.

28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.

29. Outra barbaridade que tu deves evitar chê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carajo!… nada de mandar esse trem… vixi… entendeu bichinho?

30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá agüentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.

Autor: Professor João Pedro, da UNICAMP

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"Belezas são coisas acesas por dentro
Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento
Lágrimas negras caem, saem, doem"

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(Jorge Mautner)

segunda-feira, 9 de março de 2009

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"Não me venha falar da malícia de toda mulher
Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é
Não me olhe como se a polícia andasse atrás de mim
Cale a boca e não cale na boca notícia ruim
Você sabe explicar
Você sabe entender tudo bem
Você está
Você é
Você faz
Você quer
Você tem
Você diz a verdade e a verdade é o seu dom de iludir
Como pode querer que a mulher vá viver sem mentir"

(Caetano Veloso)

* Ele sabia direitinho o que tava escrevendo...
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quarta-feira, 4 de março de 2009

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...Ele não tem mais esperança. De tudo que lhe foi mostrado, ele entendeu que era o fim. Ele fez muito, mas no final, não adiantou de nada. Esqueceram dele, e ele estava sozinho. Pela última vez, abriu seu caderno, pegou sua caneta preta. Descarregou sua tristeza em uma folha de papel. Chorou enquanto escrevia, manchou seus óculos. Depois deixou o caderno aberto na calçada, sobre sua mochila. Se levantou e foi embora. Foi embora da vida de todos. Foi embora da própria vida, para um vale onde todos são felizes.
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-Deus, da-me o desequilibrio do amor!!
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terça-feira, 3 de março de 2009

. Ana tá cansada de ser o bicho de estimação da sua família... Ela me contou que não agüenta mais ser farejada e ter suas coisas reviradas por sua mãe...
Ela diz que faz isso pelo bem de Ana,mas isso é só uma desculpa pra fazer suas rondas diárias.

Ela foi ao medico, e incrivelmente o câncer de estomago que ela tanto desejava não existe, nem uma leve anemia, um desequilíbrio de plaquetas...nada! Corpo saudável desejando a cura da mente...

Ela se sente fraca... As corretes que lhe ofertaram com um sorriso, são pesadas demais e ela não consegue sair do lugar...não se move,não se mexe, não respira!
A única coisa que muda são os vossos cabelos que crescem e alisam de maneira progressiva... Desejo de sua mão, que acha que assim ela fica mais feminina. Talvez assim um casamento surja mais rápido e Ana comece a andar na linha.

Ora, especulações sobre a vida que Ana deveria ter, que ela tem que ter, afinal qual a mulher não desejaria uma vida perfeita dessas?! A constatação de que é linda, tem um corpo simétrico..que o diga as buzinas dos carros...o orgulho da família ao ver seu "playmobil" sendo reconhecido na rua...era a gloria, o estandarte do carnaval!

Na verdade, ela não era levada a serio mesmo... Não passa de uma jovem confusa, sem opinião. Como sua mãe costuma dizer: Uma Maria vai com as outras!

[ Ana, triste e desejando um desequilíbrio de plaquetas no sangue, anda vagarosa cantarolando algum solo de trompete que ouvirá em seus momentos de desprendimento, segurando algumas sementes na mão, algumas lagrimas pela distância de uma amigo, e um choro abafado de não poder ter controle sobre seus passo. ]

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segunda-feira, 2 de março de 2009

Elegia




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"Deixa que minha mão errante adentre atrás, na frente
Em cima, em baixo, entre
Minha América, minha terra à vista
Reino de paz se um homem só a conquista
Minha mina preciosa, meu império
Feliz de quem penetre o teu mistério

Liberto-me ficando teu escravo
Onde cai minha mão, meu selo gravo
Nudez total: todo prazer provém do corpo
(Como a alma sem corpo) sem vestes
Como encadernação vistosa
Feita para iletrados, a mulher se enfeita
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns a que tal graça se consente
É dado lê-la"

Caetano Veloso
(Cinema Transcendental)