quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Reciclagem de Amizades

Um homem de mente activa e elástica desgasta as suas amizades, assim como certamente desgasta os seus casos amorosos, as suas tendências políticas e a sua epistemologia. Elas tornam-se puídas, esfrangalhadas, artificiais, irritantes e deprimentes. Transformam-se de realidades vivas em nulidades moribundas, e entram em sinistra oposição à liberdade, ao auto-respeito e à verdade. É tão repelente conservá-las, depois que se tornam ocas e podem ser sopradas como uma mosca, quanto manter uma paixão depois que esta paixão já se tornou um cadáver. Todo o homem prudente, ao lembrar-se de que a vida é curta, deveria dispensar uma hora ou duas, de vez em quando, para um exame crítico de suas amizades. Deve pesá-las, repensá-las, testar se ainda contêm algum metal. Algumas poderão sobreviver, talvez com mudanças radicais nos seus termos. Mas a maioria será varrida em poucos minutos e ele tentará esquecê-las, assim como tenta esquecer os seus frios e pegajosos amores do ano retrasado.

[ Henry Mencken, in 'O Livro dos Insultos (1920)' ]

Saber Terminar uma Amizade Indesejável

Sucede, também, como por calamidade, que algumas vezes é necessário romper uma amizade: porque passo agora das amizades dos sábios às ligações vulgares. Muitas vezes quando os vícios se revelam num homem, os seus amigos são as suas vítimas como todos os outros: contudo é sobre eles que recai a vergonha. É preciso, pois, desligar-se de tais amizades —, afrouxando o laço pouco a pouco e, como ouvi dizer a Catão, é necessário descoser antes que despedaçar, a menos que se não haja produzido um escândalo de tal modo intolerável, que não fosse nem justo nem honesto, nem mesmo possível, deixar de romper imediatamente.

Mas se o carácter e os gostos vierem a mudar, o que acontece muitas vezes; se algum dissentimento político separar dois amigos (não falo mais, repito-o, das amizades dos sábios, mas das afeições vulgares), é preciso tomar cuidado em, desfazendo a amizade, não a substituir logo pelo ódio. Nada mais vergonhoso, com efeito, que estar em guerra com aquele que se amou por muito tempo.

(...) Apliquemo-nos, pois, antes de tudo, em afastar toda a causa de ruptura: se contudo, acontecer alguma, que a amizade pareça antes extinta do que estrangulada. Temamos sobretudo que ela não se transforme em ódio violento, que traz sempre consigo as querelas, as injúrias, os ultrajes. Por nós, suportemos esses ultrajes quanto forem suportáveis e prestemos esta homenagem a uma antiga amizade, de modo que a culpa caiba a quem os faz e não àquele que os sofre.
Mas o único meio de evitar e prevenir todos os aborrecimentos é não dar a nossa afeição nem muito depressa, nem a pessoas que não são dignas.

São dignos da nossa amizade aqueles que trazem consigo os meios de se fazer amar. Homens raros! De resto, tudo que é bom é raro e nada é mais difícil do que achar alguma coisa que seja em seu género perfeita em tudo. Mas a maior parte dos homens não conhece nada de bom nas coisas humanas senão o que lhes interessa e tratam seus amigos como aos animais, estimando mais aqueles de quem esperam recolher mais proveito.
Também são eles privados dessa amizade tão bela e tão natural, por si mesma tão desejável; e o seu coração não lhes faz compreender qual é a natureza e a grandeza de tal sentimento. Cada um ama-se a si mesmo, não para exigir prémio da sua própria ternura, mas porque naturalmente a sua própria pessoa lhe é cara. Se não existe alguma coisa de semelhante na amizade, não se achará nunca um verdadeiro amigo; porque um amigo, é um outro nós mesmos.

Se se vê nos animais aprisionados ou selvagens, habitantes do ar, da terra ou das águas, primeiro amarem-se a si mesmos (porque este sentimento é inato em toda a criatura), em seguida desejar e procurar seres da sua espécie, para se unir a eles (e, nessa procura mostram um afã e um ardor que não deixa de ser semelhante ao nosso amor), quanto mais essa dupla inclinação na natureza do homem que se ama a si próprio e que busca um outro homem, cuja alma se confunde de tal modo com a sua que de duas não faça mais de que uma.

[ Marcus Cícero, in 'Diálogo sobre a Amizade' ]

quinta-feira, 20 de setembro de 2012


Nesse espaço de desejos e mascaras
Perco-me entre pensamentos manchados de batom,
Cheiros que me elevam e músicas que transportam.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Adieu



Mais dis moi adieu demain
Mais dis moi adieu en chemin
Va voir les autres, je n'en pense rien
Je t'ai aimé mais je t'assure que c'est la fin

Descalço

"Pois não adianta sem amor
A vida não traz felicidade
Só traz saudade de você
Meu amor"



[ Marisa Monte ]

Te ferir com carinho...



"Quando eu te ligar cantando aquela canção
Pra te desnortear, te ferir com carinho
É pra fazer doer no seu ouvido - a nota melhor do nosso amor
Quando eu te ligar cantando aquela canção
Não diga que não sente nada
É pra fazer doer no seu ouvido - a nota melhor do nosso amor"


[ Marisa Monte - Aquela velha canção. ]

sábado, 14 de janeiro de 2012

Quando chega a hora...

Embora a felicidade seja nosso objetivo maior
ainda não sabemos distinguir o falso do verdadeiro
criamos ilusões, perseguimos objetivos falsos
colhemos sofrimentos
Mas é por meio deles que aprendemos
a conhecer a vida,
a melhorar atitudes
é possivel que venha a nos enganar outra vez

Esse é o preço do progresso
Apesar disso, meu coração está em paz
por saber que, acima de todas as nossas falhas
e até de nosso livre-arbítrio,
está a vida nos protegendo
conduzindo nossos passos para o maior
a ansiedade atrapalha
as pessoas estão tão voltadas
ao mundo material, não têm paciência de esperar
querem fazer tudo sozinhas.

Não se ligam com a fonte de vida
nem sequer percebem que um objetivo não alcançado
ao invés de ser um fracasso
pode ser uma ajuda
em tudo só os valores verdadeiros permanecem
assim, é preciso não esmorecer
fazer sempre o melhor que souber
confiar na sabedoria divina e esperar
quem decide é a sabedoria divina, e
ela, só faz acontece
quando chega a hora.

[ Quando chega a hora Lucius por Zíbia Gasparetto ]

"No entanto como seria bom construir alguma coisa pura,
liberta do falso amor sublimizado, liberta do medo de não amar...
Medo de não amar, pior que o medo de não ser amado..."

Clarice Lispector